Pintura a óleo sobre suporte de cobre que representa a Sagrada Família com São Joãozinho. A composição organiza-se num espaço interior fechado, definido por uma iluminação quente de proveniência frontolateral esquerda do ponto de vista do observador, a qual acentua os efeitos de claro-escuro. A Virgem ocupa o eixo central da cena, configurando uma imagem de forte carga maternal enquanto amamenta o Menino Jesus. À sua direita encontra-se São José, representado em atitude recolhida e concentrado na leitura de um volume.
Em primeiro plano, aos pés da Virgem, dispõem-se São Joãozinho e o Agnus Dei, apoiados sobre o canto de um berço que funciona como elemento de articulação espacial. Ao fundo da divisão, uma janela aberta introduz um foco luminoso secundário que contribui para equilibrar a distribuição da luz e a profundidade da cena.
A obra revela uma certa filiação classicista, percetível na cuidada modulação luminosa, na riqueza cromática e na extraordinária precisão técnica na execução das carnações. No setor inferior esquerdo observa-se uma assinatura composta pelas iniciais “I” e “L”, unidas por uma cruz, muito provavelmente indicativa da autoria.
De resto, o artista demonstra um claro conhecimento da obra de Rafael Sanzio, como evidenciam determinadas correspondências estilísticas que o cobre mantém com outras criações do mestre de Urbino, entre as quais a Madonna del Divino Amore, atualmente conservada no Museo di Capodimonte, em Nápoles.
Estas afinidades com a linguagem pictórica de Rafael também se observam noutras obras da coleção, como A Sagrada Família com Santa Ana e São Joãozinho ou a Alegoria do triunfo da Imaculada Conceição.
- Chamoso Lamas, M. y Casamar, M. (1980). Museo de Arte Sacro Clarisas de Monforte de Lemos. Madrid: Caja de Ahorros de Galicia.
- Sáez González, M. (2018). Coleccionismo y almoneda del gran Conde de Lemos, Don Pedro Fernández de Castro. Lugo: Diputación de Lugo.