Presépio napolitano composto por treze figuras realizadas em madeira policromada. Como é habitual neste tipo de representação, as diferentes personagens dispõem-se em torno da cena central do Nascimento. A disposição das figuras responde a uma tradição barroca, na qual a teatralidade e o dinamismo contribuem para criar uma narrativa visual envolvente. Assim, a figura do Menino Jesus ocupa o espaço central da composição, acompanhada pela Virgem Maria e por São José, enquanto o boi e a mula repousam ao seu lado, em atitudes de grande naturalidade e serenidade.
Um elemento particularmente destacável é o tratamento da luz, protagonizado por um feixe que emana de uma fogueira situada no centro da cena. Esta iluminação cria um efeito quente e intimista, que acentua a emotividade do momento representado e contribui para estabelecer uma atmosfera de recolhimento e contemplação.
Em redor da cena principal surgem anjos e pastores que se aproximam com expressões que oscilam entre a devoção e a admiração, reforçando o carácter sacro e celebrativo do conjunto. Na parte superior, dois anjos turiferários anunciam o nascimento a partir de uma arquitetura fingida, de execução mais modesta do que o restante das figuras, o que introduz um contraste que atenua ligeiramente a harmonia geral da composição.
Este conjunto escultórico exemplifica a riqueza expressiva e o refinamento técnico da tradição presépista napolitana, na qual cada figura contribui para construir uma cena carregada de simbolismo, emoção e beleza.
- Chamoso Lamas, M. y Casamar, M. (1980). Museo de Arte Sacro Clarisas de Monforte de Lemos. Madrid: Caja de Ahorros de Galicia.
- Sáez González, M. (2012). Del Reino de Nápoles a las Clarisas de Monforte de Lemos: escultura del siglo XVII en madera. Lugo: Diputación de Lugo.