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Crucificado

crucificado y tesis
Localización
Clasificación
Lugar de orixe
Estilo
Século
XVII
Cronoloxía
séc. XVII (segunda metade)
Descrición

Grande moldura-relicário que contém no seu interior as teses de bacharelado de Catalina de la Cerda y Girón, clarissa do convento e filha do IX Conde de Lemos, bem como um Crucificado em bronze realizado pelo artista italiano Guglielmo Della Porta. A estrutura é composta por uma moldura de ébano moldurado, com sucessão alternada de tecas retangulares contendo relíquias e aplicações em bronze com cabeças de querubim.

As relíquias encontram-se protegidas por placas de vidro e cada uma possui a respetiva cartela identificativa, orlada por decoração linear em azul e vermelho. No interior da estrutura, ao fundo, surge o pano gravado em seda amarela com as seis teses para a obtenção do grau de bacharel em Filosofia e Medicina de Catalina de la Cerda y Girón, defendidas em 1655. Conforme indicado na parte inferior do tecido, a gravura foi realizada pelo editor e impressor salmantino Diego de Cossío.

Destaca-se neste conjunto a inclusão da figura em bronze do Crucificado, obra de Guglielmo Della Porta. Trata-se de uma imagem de Cristo crucificado em bronze dourado sobre cruz-relicário de ébano. A cruz organiza-se a partir de uma peça central em bronze situada na interseção dos braços, de aspeto radiado, presidida pelo monograma "IHS", atravessado por uma pequena cruz e pelos três cravos da crucifixão, integrando os Arma Christi.

Os braços da cruz apresentam remates com aplicações em bronze dourado representando querubins entre volutas nas extremidades, bem como tecas protegidas por vidro nos espaços intermédios. Importa referir que, na parte inferior do braço vertical, a peça possui um elemento metálico que funciona como suporte. Nesse mesmo setor observa-se a ausência de uma teca destinada ao depósito de relíquias que originalmente ocuparia esse espaço.

Quanto à figura de Cristo, esta reflete as características essenciais do modelo criado por Guglielmo Della Porta. A obra evidencia um excelente estudo anatómico, ainda que segundo uma ótica plenamente maneirista. O corpo descreve uma ligeira curva em “S”, prolongando-se desde a cabeça inclinada para a direita, com o olhar voltado para o solo, até à posição das pernas, unidas e rodadas para a esquerda. A cabeça do Redentor situa-se à altura dos ombros, imediatamente abaixo do braço transversal, na habitual representação com três cravos. Outro aspeto revelador é a configuração do perizonium, atado no lado direito e formando uma ligeira diagonal descendente. Este elemento apresenta morfologia idêntica à de outros crucificados atribuídos ao artista lombardo.

Por fim, importa salientar o elevado grau de pormenorização na representação do rosto, da barba, dos cabelos e das articulações do corpo. Estes e outros detalhes testemunham a mestria do artista na criação de um modelo de intensa tensão dramática, capaz de romper com a rigidez inerente ao metal. 

 

Bibliografía
  • Andrés González, P. (2020). “De convento a museo. Las colecciones de patronazgo femenino entre las clarisas”, en Ángel Zalama, M. e Andrés González, P. (eds.), Ellas siempre han estado ahí. Coleccionismo y mujeres. Madrid: Ediciones Doce Calles, pp. 95-111.
  • Chamoso Lamas, M. y Casamar, M. (1980). Museo de Arte Sacro Clarisas de Monforte. Madrid: Caja de Ahorros de Galicia.
  • Sáez González, M. (2018). “El VII Conde de Lemos transmisor del arte italiano en Galicia”, en Cruz Valdovinos, J. M. e Cañestro Donoso, A. Scripta artium in honorem prof. José Manuel Cruz Valdovinos. Alicante: Universidad de Alicante, pp. 740-749.
  • Valle Pérez, J. C., y Fernández Otero, J. C. (1993). Os Museos da Igrexa en Galicia. Ourense: Xunta de Galicia.
Material
Ébano
Bronze
Sedas
Técnica
Fundição
Moldagem
Cinzelagem
Gravura